O conceito de proletário


Não é assim tão fácil e intuitivo definirmos o proletariado numa sociedade de trabalho tão hierarquizada e desigual, com uma divisão de trabalho tão complexa e rendimentos tão díspares. A definição clássica é talvez a mais acertada: proletário é a classe destituída de propriedade e de título que vive exclusivamente da reprodução da sua prole, sendo que é nesta reprodução que não é título nem propriedade que reside toda a sua liberdade e potência política. Acrescentaria que o proletariado além de ser a classe que anda sempre atrás dos meios de produção que não possui, e daí ser assalariada e por necessidade internacional, classe do êxodo, povo sem terra, é também a classe “pau para toda a obra”, operariado “indiferenciado”, não tecnicamente qualificado. Tal não significa que o proletário não possa ter uma qualquer especialização técnica, apenas que, por força das circunstâncias e não da sua vontade, não a exerce. O proletariado é força de trabalho móvel, operariado flutuante, tanto no que respeita ao seu nomadismo económico quanto à sua flexibilidade laboral às mais distintas profissões. O proletariado é também sujeito sem esperança no sentido em que o seu horizonte económico e político se confunde com a eternização da sua condição social de que apenas o acaso (um primeiro prémio na lotaria) ou o crime é capaz de libertar. O proletário nada espera não sendo continuar a ser proletário, isto é, a viajar - - por vezes atravessando fronteiras - - para vender a sua força de trabalho e a adaptar-se a todo o tipo de trabalho “não qualificado” consoante as necessidades do mercado, a relação oferta-procura. Escusado será dizer que a condição do proletariado é o resultado histórico das alterações das relações de produção por resultado da emergência e reprodução contínua do capitalismo.


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