A política, essa coisa suja




A política tanto é o reino da liberdade e a expressão da luta pela liberdade civil por parte dos oprimidos e explorados como é uma “coisa suja” e uma “porca” que dá de mamar às elites económicas e sociais da qual fazem parte alguns dos nossos empresários e políticos. A promiscuidade entre os negócios do Estado e os interesses do Capital comprova-o à exaustão. Mesmo a esquerda mais “antissistema” não é incólume a essa ambiguidade da política e que faz desta esquerda tanto a promessa de libertação da política como instrumento da dominação de uma classe sobre outra, quanto a continuação da mesma “velha política” porca não por outros mas pelos exatos mesmos meios. A política tornou-se num negócio sujo, numa dirty thing, a partir do momento em que se separou da “substância vital da sociedade” deixando-se de com esta se confundir; em que a política se transformou numa atividade do Poder contra a sociedade, separada e distinta desta, sendo que a instituição do sufrágio universal não representa um desvio desta lógica ou uma sua “contra-tendência” mas, pelo contrário, a coroação da separação do político (como profissional) em relação à sociedade (como eleitores em potência). E a esquerda – tal como a extrema-direita – apesar de “antissistema” e “anticapitalista”, e porque “suja as mãos”, opera, trabalha e capitaliza dentro de um mesmo quadro mental, comportamental e institucional que não tem pejo em incorrer dos mesmos vícios para chegar a lugares que diz serem diferentes. Falo da instrumentalização dos outros, desde o eleitorado aos camaradas; falo das alianças “táticas” mais obscenas à luz dos valores supostamente partilhados por estas forças políticas e das cedências ideológicas mais descaradas tendo em conta a exclusiva conservação ou a obtenção do poder e também a sobrevivência institucional dos mesmos; falo da lógica que subordina os meios aos respetivos fins, sendo que estes fins são cada vez menos objetivos “universais”, extrapartidários, e cada vez mais institucionais e determinados pelos interesses particulares das cúpulas que mandam de facto nos aparelhos. O mais sinistro na reprodução deste pântano político nem é que os partidos antissistema se comportem exatamente como os outros em prol da conquista do poder e da competição oligárquica, é o esperar-se que fazer exatamente da mesma maneira que os outros partidos (principalmente os inimigos da direita) possa trazer resultados diferentes à dinâmica onde estes navegam e se deixam corromper. 

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