Não podemos afirmar a inexistência de Deus!?

 


O que se diz do e no ateísmo é que não se pode provar nem a existência nem a inexistência de Deus. Está fora dos limites da experiência possível. Mas como não se pode provar a inexistência de Deus se ele é um conceito vazio, se não sabemos ao que nos referimos quando nos referimos a Deus, se não é possível obtermos, ao jeito de Wittgenstein, uma “imagem pictórica” de tal entidade, se ele é um conjunto de predicados sem sujeito? Mas, assim o sendo, porque não podemos postular a inexistência de Deus quando o seu conceito é sem referente? Se Deus é um ser superior, mesmo se superior a todas as entidades concebíveis, o que faz deste qualitativamente – e não quantitativamente -- mais do que uma espécie alienígena mesmo se com atributos poderosos? Se Deus é o nome que designa aquele que criou o mundo, que existe antes e existirá depois deste, e que “iluminou”, segundo o cristianismo, a humanidade dos princípios éticos mais elementares por meio da revelação, onde reside então o segredo da sua transcendência incondicional? Porque podemos afirmar a inexistência de uma entidade como o Pai Natal ou o Homem-Aranha mas não o podemos fazer com Deus, mesmo se este é o “ser maior do que o qual nada pode ser pensado”? Até porque se Deus intervém no mundo, na natureza, ele não deixa de participar como uma entidade entre entidades; e se sustém a sua transcendência então fica como que “condenado” a habitar esse entremundos de que falavam os epicuristas. Como que é que, enfim, Deus pode existir sem perder o seu caráter incomunicável com o mundo sensível, sem se apresentar como uma entidade entre entidades (mesmo se entidade qualitativamente superior a todas as entidades imagináveis) assim perdendo a transcendência? Do que falamos mesmo quando nos referimos a Deus como sujeito? Melhor, a partir do momento em que nos dirigimos a Deus como a um sujeito isso não significa que ele passa a participar como ente no mundo, e, por consequência, não perde a força de todos aqueles atributos que atribuímos à transcendência (omnisciência, omnipresença, eternidade…)? Sobre este assunto lembro-me do meu saudoso professor de filosofia da religião, um cristão, que dizia preferir um Deus menos poderoso mas participante da história do que o Deus distante do Velho Testamento… Mas, se assim o julgarmos, a que nos queremos referir quando nos referimos a Deus?    

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