Nem sempre existimos
Às vezes estamos cercados de palavras
Que, de olhar severo e de dedos em
riste,
Nos julgam com a sua parafernália de
signos
E de sons cada vez mais indiscerníveis.
Às vezes as palavras levitam
E seguem o seu próprio trilho
E já não nos reconhecem
Nem nós nos reconhecemos nelas:
Estamos de costas voltadas.
Talvez as palavras nos desprezem
Ou nos usem, nos embriaguem,
Nos encantem,
Para depois então extraírem
Tudo o que podem do nosso
Estado febril,
Da nossa cegueira.
Sim, também as palavras nos oprimem,
Com a sua imaterialidade,
A sua existência espectral,
E deixam de ser percebidas,
Perdem a sua aderência às coisas,
Não transmitindo mais do que sons
confusos
E imagens delirantes.
Como um sonho contínuo
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