É natural que te ame
Quando deténs todos os atributos do mundo
Uma ferocidade de viver capaz de arrancar pela raiz
O mais obstinado dos conformismos,
A recusa férrea da fatalidade,
De sacudir os ombros dos que vivem
E pensam, e agem,
Como se já estivessem mortos
Esses milhões de milhões de fantasmas
Que tomam conta dos corpos da multidão ininterrupta e fervilhante
É natural que te ame
Quando és abnegação incondicional
Pura dádiva alheia a toda a reciprocidade
Quando arrastas no teu movimento
Toda a dramaturgia do universo
Com a sua explosão de estrelas
O apetite voraz e humanamente incalculável dos buracos negros
E as suas partículas subatómicas absolutamente imprevisíveis
É natural que te ame meu amor
Quando te confundes e te mesclas
Com este barro que tudo torna único e singular,
Evanescência integral e poder sem objeto ou finalidade
É natural que te ame sem que possa responder à incomensurabilidade do teu amor
Por tudo.
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