O proletariado e a luta contra o trabalho como fonte de toda a exploração
As camadas da classe trabalhadora que
mais lutam pela progressão da sua condição laboral são aquelas que mais
impregnadas estão pela ideologia do
trabalho. Até neste aspeto o proletariado apresenta uma situação distinta. O
seu trabalho é só um trabalho, é só uma forma de garantirem a sua reprodução
social através do salário. Não será então por acaso que as classes profissionais
que mais lutam pela conservação do seu trabalho e correspondente dignificação
sejam as classes profissionais mais valorizadas social e economicamente. Neste aspeto
a relação do proletariado com o trabalho é menos sentimental e mais pragmática;
o trabalho que realizam nunca é o trabalho da sua vida e, muito menos, uma
missão. Nesta lógica precisa o proletariado, uma vez mais, está muito mais apto
a apresentar motivações revolucionárias do que a “aristocracia laboral”. Os proletários
não têm tanto de “salvar os seus empregos” do que garantir o pão na mesa seja
em que emprego for. A medida com que os proletários avaliam os seus empregos
não se relaciona com qualquer papel dignificador – quanto mais libertador – do trabalho.
Também por isso é o proletariado que está mais propenso a formas de luta contra
o trabalho em si e a condição de assalariado. Deixemos pois os trabalhadores
especializados enredados na sua dialética pela dignificação da profissão – com a
cumplicidade das principais centrais sindicais -- que não requer qualquer
rutura com a economia do capital e atentemos nas lutas contra o trabalho em si
que mobiliza o proletariado.

Comentários
Enviar um comentário