O temor proletário à revolução



Queremos a revolução mas simultaneamente vivemos aterrados por ela, pela sua mera hipótese, a sua iminência e imanência. Como proletários, ou, pelo menos, como partidários da causa comunista, não tememos burguesamente a revolução proletária no que ela carrega de promessa de alteração revolucionária das relações de produção, e, por encadeamento, da abolição da propriedade privada e das classes. Tememos a revolução, ou temos-lhe a maior cautela, por pavor da sua perversão estalinista. O que no fundo significa temor pela estatização total da revolução. Até porque já não nos recordamos como é viver sem Estado, sem divisão estrutural da sociedade; o que representa na verdade um viver a essência do comunismo ou, vá lá, o seu fim. Se a burguesia teme a revolução por ela colidir diretamente com os seus interesses de classe, o temor da revolução por parte do proletariado é outro. A apreensão sentimental e racional à revolução por parte das camadas populares e produtivas mais progressistas não se reduz superficialmente ao papão do socialismo real, seu falhanço político e traumas históricos daí resultantes, mas penetra mais profundamente na razão de ser dessa perversão política do socialismo pelo fator-Estado. E que evidentemente não será inteiramente ultrapassado sem se ultrapassar a razão de ser do Estado. 

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