Ou… Ou… Mais uma vez a divisão paradigmática da sociedade



A grande divisão política na sociedade – de qualquer forma de sociedade -- deixou de ser para mim, como o foi durante tanto tempo, a divisão entre classes expressa na famosa fórmula marxista da luta de classes. Quanto mais a fórmula moderna da divisão parlamentar e ideológica entre esquerda e direita. A sociedade encontra-se profundamente dividida entre os que aspiram à liberdade e à igualdade radicais, sem concessões políticas possíveis ao poder e ao Estado, e os que só desejam preservar a ordem da desigualdade para dessa forma preservarem o poder e/ou o acesso ao mesmo, para além dos submetidos às “paixões tristes” da “servidão voluntária”. As sociedades, do ponto de vista da sua radicalidade ontológica (respeitante ao seu ser enquanto sociedade), dividem-se, antes de tudo, primitivamente, entre os que declaram guerra às estruturas da desigualdade que têm no Estado simultaneamente o seu paradigma transcendental e o seu culminar histórico, e os que reprimem, policialmente, os que querem dinamitar a reprodução da desigualdade. A luta de classes e a divisão esquerda-direita ou participam desta divisão primitiva ou perpetuam, de forma diferente, a mesma sociedade desigualitária. A materialidade da luta de classes e a divisão liberal entre a esquerda e a direita ou são pela guerra contra a sociedade da desigualdade ou são versões mais ou menos travestidas da mesma.  

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