Sim, humilhaste-te

Degradaste a tua dignidade

Por um ou dois pequenos favores do ministério

Pediste emprestado a quem não devias

Enquanto imprudentemente te justificavas

Com adversidades e relatos neorrealistas de pauperização

Foste até onde não te era permitido

Para ouvires mais um redondo não no semblante em queda

Em súplica

Mas o que é que tudo isso importa?

Toda essa vergonha perpétua, essa decadência e aviltamento

O tempo é como as águas da tempestade

Que tudo arrastam à sua passagem 

E no seu curso lavam também o sangue e apaziguam os remorsos

Esses aguilhões alegremente se contorcendo na carne

Como se dançassem

Poucas são as verdades que resistem à voracidade do tempo

Tudo acaba por sarar e ser esquecido

Exceto, claro, o mesmo ódio de sempre

E uma inimizade brutal que atravessa a muralha dos séculos.

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