Podemos andar uma vida inteira iludidos
A pensar que o grande desígnio
Reside na procura da fórmula
A fórmula como a medida do sublime
Dessa ideia de perfeição que nos inspira e nos motiva
Da sua realização literária ou imagética
E que atingida todo o sofrimento
Todas as horas de dedicação ascética à beleza e à verdade
Se descobrirão subitamente redimidas
E tudo finalmente se fará claro
Mas não tarda a descobrirmos que a fórmula
Não é um fim mas apenas um meio
Que vivemos dentro de obsessões coletivas
De traumas e tribos
E que não há pontos de chegada
Mas apenas ressonâncias, descontinuidades, fraturas
Desvios de sentido, perplexidades, silêncios,
Equívocos, mal-entendidos,
Metáforas de metáforas de metáforas
E tudo o que fazemos é reinventar incessantemente
Aquilo que na verdade é sempre o mesmo.
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