Qual a razão para entre nós e o mundo

Sempre esta muralha de aço

Este trilho de brasa e escolhos

E a vontade que sempre se desfaz

Quais ondas, uma e outra vez, pulverizando-se nos rochedos

Como pode ser tão lancinante uma distância

De dois palmos

Por vezes habitamos de tal modo nas nossas obsessões

E medos

Que somos verdadeiramente incapazes de nos deixar

De levantar a âncora

Abandonados como estamos aos nossos fantasmas

E ao culto da nossa personalidade

Pudera em mim uma tal força de despojamento

Uma ataraxia

Que todo o meu eu se estilhaçasse

Até conseguir definitivamente esquecer

Que um dia tive também um nome

Quem sabe uma morada e até uma profissão. 

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