Contra a sociedade heteronormativa
A sociedade patriarcal, a sociedade em
que habitamos, é de tal modo preconceituosa em relação às famílias
monoparentais, aos pais e às mães solteiras, às famílias gays, aos misantropos,
aos e às viúvas, aos casais hétero que não têm nem querem ter filhos, enfim, a
tudo o que não se enquadra numa vida adulta consoante o modelo do pai, mãe,
filho e espírito santo, que tudo o que não se encaixa é percebido como uma vida
não inteiramente realizada, como um modo de vida amputado, no limite, uma
anormalidade e até uma obscenidade. A própria ideia de felicidade não é
concebível nesta sociedade construída à imagem do grande Pai, do “homem da
família”, em que não é compreensível que alguém se possa dizer feliz
sustentando sozinha o seu filho ou vivendo de forma celibatária por motivos não
religiosos. Um casal gay não pode ser feliz devido à sua “condição”, logo, os
seus eventuais filhos também não poderão crescer de um modo feliz: é um círculo
vicioso. Quem não se casa, quem permanece solteiro, quem tem uma vida amorosa
dita “instável” composta de múltiplos parceiros e de incontáveis “casos”, é
visto como alguém socialmente não satisfeito, um ser incompleto, fraturado,
quem sabe com uma qualquer patologia – do foro psiquiatra -- por diagnosticar. Era
assim que Jonas entendia a sociedade onde vivia e esse entendimento sufocava-o.
Não bastava apenas ser solidário com os modos de vida não heteronormativos, era
preciso levar uma vida amorosa e sexual que não se permitisse encaixar nessa
mesma heteronormatividade. Escolher ser gay tornou-se para ele numa questão
politicamente vital. E com o tempo aprendeu até a apreciar levar no cú.

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