Um poço de frivolidade
Medley era de uma superficialidade atroz, um poço de frivolidade. Dessas que não leem e vivem encantadas, para não dizer inebriadas, isto é, iludidas, pela vida falsa das celebridades. Passado todo o fascínio sexual não podia ter sobrado muito mais do que a autocensura por um dia se ter deixado apaixonar por aquela miúda. O coração até pode ter razões que a razão desconhece mas há limites, ou devia haver, para tanta estupidez. Nada o unia a Medley, nenhuma perspetiva de futuro, sonho com crianças e matrimónio civil, para que o desejo de Robert pudesse ser algo mais do que desejo sexual e, até, predatório. Tudo se resumia à questão de uma conquista que falhara; como, aliás, em tanto na sua vida. Restava a autocomiseração resultante de já não ser um jovem, nem, quanto mais, ter o mundo a seus pés. E se ao menos pudesse destacar-se pelo dinheiro que possuía ou pelo carro que exibia… Se ao menos pudesse, como se diz na linguagem juvenil dos nossos dias, ser um “sugar daddy”. A verd...

acho o sentido da visão sobrevalorizado. aprendi a ler "Ensaio sobre o homem" de Ernst Cassirer, livro e filósofo que recomendo imenso, que há humanos que nascem cegos, surdos, sem paladar ou olfato, mas nenhum nasce sem sentido de tato, logo, deveria partir-se do tato e do que se pode fazer com ele para constituir a base de um profícuo humanismo. ps: tens olhos verdes/castanhos? a minha velha vizinha enfermeira-parteira salazarista dizia que olhos verdes significam inveja -e ela tinha-os verdes! - e eu digo que olhos castanhos significam fascismo - e eu tenho-os castanhos!
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